Trabalhadores da Vale em Itabira aprovam Acordo Coletivo Anual e Acordo de PLR

Pedro Leal • 20 de novembro de 2024

Trabalhadores da Vale em Itabira aprovam Acordo Coletivo Anual e Acordo de PLR

Os trabalhadores da Vale nas minas Cauê, Conceição e Periquito, em Itabira, aprovaram, com 88,54% dos votos, o Acordo Coletivo de Trabalho para o período 2024/2025 e o Acordo Coletivo de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para 2025/2026. A aprovação foi realizada após uma série de assembleias conduzidas pelo Sindicato Metabase de Itabira e Região, realizadas entre os dias 18 e 20 de novembro, tanto nas minas quanto na sede do Sindicato.


As assembleias ocorreram com o objetivo de apreciar e votar a contraproposta apresentada pela empresa. Os trabalhadores expressaram suas decisões de forma soberana e secreta, com sessões realizadas em diferentes horários, a fim de garantir a participação de todos os turnos de trabalho, bem como de funcionários administrativos, afastados, em férias e até mesmo em home office, que puderam votar na sede do sindicato. No total, 1.816 trabalhadores participaram do processo de votações.


Resultados da votação:

  • Votos SIM: 1.608 (88,54%)
  • Votos NÃO: 197 (10,84%)
  • Votos brancos e nulos: 5
  • Abstenções: 6


O Processo de Negociação

O Sindicato Metabase de Itabira realizou uma pesquisa junto aos trabalhadores da Vale para definir as pautas de reivindicação, que refletissem as necessidades e desejos da categoria. Foram realizadas sete rodadas de negociação com a empresa, sempre com a participação ativa dos trabalhadores. 


O presidente do Sindicato, André Viana (Pato Roco), ressaltou a importância da celebração do acordo, após intensas negociações que demandaram seriedade e transparência. "A luta da classe trabalhadora é histórica e nunca foi fácil", afirmou Viana, destacando o incansável trabalho dos diretores do sindicato, tanto dentro quanto fora da empresa, para garantir condições justas de trabalho e respeito àqueles que mais produzem.


As negociações entre o Sindicato e a Vale foram marcadas por momentos de grande tensão, com algumas rodadas sem propostas da Vale e com propostas aquém da inflação, o que gerou desgaste estratégico e tentativas de enfraquecer o movimento sindical.


A Proposta Aprovada

Os trabalhadores aprovaram um reajuste salarial de 5% sobre os salários vigentes.  Durante as negociações, a empresa apresentou propostas diferenciadas de acordo com a faixa salarial dos empregados, o que foi prontamente rejeitado pelo sindicato. "A Vale sugeriu reajustes maiores para uns e menores para outros, conforme o salário, o que foi inaceitável. O sindicato esteve firme e se colocou à disposição para mobilizar ou até paralisar as atividades, se necessário", afirmou André Viana.


Outro ponto significativo da negociação foi o reajuste no piso salarial
, que passou para R$2.120,00. Além disso, o cartão alimentação também foi reajustado para R$1.000,00 mensais, com a inclusão do 13º crédito integralmente reajustado. Em um ano, esse benefício pode representar um montante de R$12.000 por trabalhador, impactando positivamente no poder de compra e no bem-estar das famílias. O reajuste no cartão alimentação não só melhora a alimentação dos trabalhadores, mas também fortalece a economia local, já que a maior parte do valor é gasto em mercados e comércios da região.


Além disso, um avanço muito importante foi a
valorização da previdência complementar (Valia), com o aumento do percentual de coparticipação da empresa, que passou de 1% para 2%. André Viana destacou que após 24 anos a Vale voltou a discutir o percentual de coparticipação na Valia dos empregados “Há anos a Vale reduziu drasticamente o percentual de coparticipação na Valia. Agora, depois de muita luta sindical, ela volta a realizar um aumento desse percentual, mesmo que timidamente, mas já é um grande avanço, abrindo portas para aumentos futuros” destacou o presidente. 


André Viana destacou, também, que a Valia, como entidade de Previdência Complementar, desempenha um papel fundamental no planejamento financeiro dos trabalhadores, especialmente em um cenário de envelhecimento da população e incertezas sobre a sustentabilidade da previdência pública. "A Valia garante uma maior segurança financeira para a aposentadoria dos trabalhadores", afirmou o presidente do Sindicato. 


Além desses avanços, todos os benefícios foram mantidos, uma conquista significativa da atual gestão sindical, que tem se empenhado constantemente para preservar os direitos dos trabalhadores. Viana reforçou a importância de garantir esses benefícios, pois a perda de direitos é um processo complexo e difícil de reverter.


Vitória do Movimento Sindical

O resultado final da votação é considerado uma grande vitória para o movimento sindical de Itabira. Com esforço, unidade e determinação, o Sindicato conseguiu assegurar conquistas importantes para os trabalhadores da região, mesmo diante de um cenário desafiador nas negociações. 


A aprovação do Acordo Coletivo de Trabalho e do Acordo de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) representa um importante compromisso da diretoria em defender os direitos da categoria e garantir melhores condições de trabalho e qualidade de vida para os trabalhadores. André Viana (Pato Roco), destacou a importância desse momento de negociação, que ocorreu em um contexto desafiador. "Foi uma temporada importante e complexa, em que a empresa tentou adotar estratégias desgastantes e até mesmo implementou reajustes diferenciados, tentando promover uma segregação entre os funcionários. No entanto, o sindicato, com sua diretoria preparada e pautas construídas a partir das demandas dos trabalhadores, se manteve firme. A empresa teve que negociar questões que há 24 anos não discutia, como a Valia, e ainda conceder reajustes acima da inflação", afirmou Viana.


O presidente do sindicato também enfatizou a importância da unidade da categoria para enfrentar os desafios futuros. "É fundamental que todos estejam alinhados com o sindicato para que possamos enfrentar os próximos desafios. Somente com união e organização dentro da classe trabalhadora é possível avançar. Embora sempre haja espaço para melhorias em todos os acordos, o sindicato, nesta gestão, nunca assinou acordos com perdas, como ocorreu no passado com a retirada de benefícios como o plano ortodôntico, implantes dentários e aparelhos ortodônticos", concluiu.


“Pato Roco” reafirma que o sindicato segue firme em sua missão de celebrar acordos que tragam avanços para os trabalhadores e protejam os direitos conquistados ao longo dos anos.



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