AMBIENTE TÓXICO É PRINCIPAL RAZÃO PARA PEDIDOS DE DEMISSÃO

Tonny Morais • 26 de setembro de 2023

Pesquisa com mais de 700 profissionais no Brasil 

Pesquisa com mais de 700 profissionais no Brasil aponta que o maior “gap” percebido pelos funcionários em seus gestores é apoio, o que pode prejudicar o clima organizacional.


Historicamente, a primeira pergunta que os candidatos a uma vaga de emprego para média e alta gerência faziam ao recrutador era sobre salário e benefícios. Isso mudou. Hoje, a primeira pergunta é sobre o modelo de trabalho adotado pela empresa – remoto, híbrido ou presencial. A segunda, como são a cultura e os valores da organização. Depois disso o profissional entra na questão de remuneração. A observação é de Maria Sartori, diretora da consultoria de recrutamento executivo Robert Half.

A análise dela é corroborada pela terceira edição da pesquisa Inteligência Emocional e Saúde Mental no Ambiente de Trabalho, feita pela The School of Life e Robert Half ao ouvir 774 profissionais empregados, de todo o Brasil, com 25 anos ou mais e formação superior completa, sendo 387 líderes e 387 liderados.

Segundo o levantamento, o ambiente tóxico é o principal fator que levaria a pedidos de demissão, apontado por 42,86% dos liderados. Já a imposição do trabalho presencial faria com que 13,14% quisessem sair de seus empregos

Um ambiente de trabalho tóxico, na visão de Diana Gabanyi, diretora da The School of Life, é aquele onde há assédio moral, mas também aquele onde o líder, por não ter a inteligência emocional desenvolvida, não sabe minimamente se relacionar com as pessoas – o que tem relação com cultura e valores. “Ambientes de trabalho vão ser difíceis, mas tem maneiras de lidar”, diz.

Para Gabanyi, a alta parcela de pessoas que listam o ambiente tóxico como razão para pedir demissão é consequência de uma maior disseminação dos temas de saúde emocional nas empresas. “[Esse índice é alto] porque, provavelmente, os executivos já ouviram falar disso.”

Ainda que hoje se fale mais sobre liderança positiva, ambientes tóxicos e saúde emocional no ambiente de trabalho, a pesquisa mostra que o assunto ainda está em desenvolvimento nas organizações. “Estamos apenas começando, mas começamos [a falar do tema]”, comenta Sartori. “Existe uma mudança de comportamento nas empresas, mas ainda falta muito para se aprofundar.”

O tema é importante até mesmo do ponto de vista da produtividade, e não somente do cuidado com as pessoas. De acordo com a pesquisa, 43,80% dos líderes disseram que em algum momento nos últimos 12 meses eles deixaram de produzir ou se manterem engajados por estarem emocionalmente abalados. Entre liderados, essa foi a resposta de 45,17%. No entanto, na visão das chefias, 63,20% disseram que, nos últimos 12 meses, algum funcionário de sua equipe deixou de produzir ou se manter engajado por tais razões.

Todo ser humano passa por questões emocionais ao longo da vida. A grande questão, na visão de Sartori, é que os líderes, de forma geral, não estão atentos a isso.

Na pesquisa, somente 35,07% dos gestores afirmaram acreditar que os líderes da empresa onde atuam estão capacitados para acolher funcionários que apresentam questões de saúde mental, e 45,66% responderam que os líderes não estão preparados para esse aspecto e não há um plano para isso em 2023 ou 2024. Apenas 19,27% responderam que está prevista uma capacitação para esse tema até o final de 2024. Entre os liderados, a percepção de 61,36% é a de que os líderes da empresa não estão aptos a lidar com o assunto.

Para Sartori, estar preparado para acolher funcionários que apresentam questões de saúde mental não significa ter uma formação em psicologia ou atuar como terapeuta da equipe. Trata-se, principalmente, de praticar a escuta ativa. “É fazer perguntas com a intenção genuína de escutar, e estar presente de corpo e alma [nessa conversa]”, diz. Segundo ela, o remoto dificultou esse tipo de diálogo, que antes poderia acontecer naturalmente no corredor ou café. Para quem trabalha a distância, a solução seria marcar reuniões individuais sem agenda prévia, apenas para conversar e ver o que surge.

 Isso porque a escuta ativa, que permite compreender como o outro está, requer tempo. “A escuta ativa não é algo difícil de se fazer”, diz Sartori. “Mas [o líder] precisa disponibilizar tempo na agenda para isso, e entender que não está perdendo tempo [nesse tipo de conversa]”. Até porque, ressalta Gabanyi, com esse tipo de diálogo, a equipe e o próprio gestor vão ganhar de outras maneiras. “Quando o líder dedica tempo, o profissional será mais dedicado.”

O desafio da gestão do tempo é grande. Na pesquisa, os líderes foram questionados sobre para quais atividades eles têm menos tempo. Entre as respostas surgiram cuidar da minha saúde e do meu bem-estar (37,38%) e criar proximidade com membros da equipe (9,83%).

Encontrar tempo para compreender a equipe, no entanto, parece fundamental para reter as pessoas. Entre liderados, o aspecto mais importante na carreira é salário (71,59%), e na sequência aparece um ambiente de trabalho que apoia e acolhe (64,20%). Em paralelo, 32,39% dos liderados responderam que a habilidade que mais falta em seus gestores é apoio. “Se o líder não tem a escuta ativa, e não tem tempo para os colaboradores, talvez eles [os liderados] também vejam o ambiente como tóxico”, comenta Sartori.

Fonte: Valor Econômico

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Por Comunicação Metabase • 21 de setembro de 2026
Motorista de carro-forte teve vizinhos e familiares questionados sobre sua vida pessoal; TST manteve indenização de R$ 15 mil  Uma empresa de segurança foi condenada a pagar R$ 15 mil de indenização por danos morais a um motorista de carro-forte que teve sua vida pessoal investigada pela empresa onde trabalhava. Segundo o trabalhador, vizinhos e familiares eram procurados periodicamente para responder perguntas sobre seu comportamento fora do ambiente profissional. Entre os assuntos investigados estavam suposto envolvimento com jogos de azar, dívidas, agiotagem, bebidas, brigas, violência doméstica, tráfico e outras questões relacionadas à vida particular . A decisão foi mantida pela Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) . INVESTIGAÇÃO ULTRAPASSAVA O AMBIENTE DE TRABALHO O motorista foi contratado em 2008 por uma empresa que posteriormente foi sucedida por outra. De acordo com o processo, uma pessoa era enviada até a residência e a vizinhança do trabalhador para buscar informações sobre sua conduta pessoal. Os moradores eram questionados, por exemplo, se o trabalhador era agressivo, se costumava beber, se participava de jogos de azar, se tinha dívidas, se pegava dinheiro emprestado com agiotas, se brigava na rua ou se praticava violência contra a esposa. O trabalhador afirmou que as abordagens provocavam constrangimento, principalmente porque familiares e vizinhos estranhavam as perguntas e ele precisava explicar o motivo de a empresa estar investigando sua vida particular. Testemunhas ouvidas no processo confirmaram a realização das abordagens. Uma delas relatou ainda que os funcionários recebiam um documento para assinar autorizando a investigação sobre suas vidas pessoais. JUSTIÇA RECONHECEU VIOLAÇÃO À PRIVACIDADE Ao analisar o caso, a Justiça entendeu que, embora empresas de segurança possam adotar mecanismos para verificar a idoneidade de seus funcionários, essa fiscalização não pode ultrapassar os limites da vida privada do trabalhador . A investigação realizada pela antiga empresa foi considerada invasiva por atingir aspectos relacionados à intimidade, à honra e à imagem do empregado. Inicialmente, a indenização havia sido fixada em R$ 25 mil . O Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-5), na Bahia, reduziu o valor para R$ 15 mil . A empresa Prosegur argumentou que as investigações haviam sido realizadas pela companhia anterior, antes da aquisição ocorrida em 2012. TST MANTEVE INDENIZAÇÃO DE R$ 15 MIL O trabalhador recorreu ao TST buscando a revisão do valor da indenização. A Oitava Turma do Tribunal , porém, decidiu manter os R$ 15 mil estabelecidos pelo TRT-5. O relator do caso, ministro Sergio Pinto Martins , destacou que a Justiça costuma alterar valores de indenização apenas quando a quantia é considerada excessivamente baixa ou alta diante das circunstâncias do caso. Por unanimidade, a Turma considerou que o valor de R$ 15 mil era proporcional à situação analisada . PRIVACIDADE TAMBÉM É DIREITO DO TRABALHADOR O caso reforça que a relação de trabalho não elimina os direitos fundamentais do empregado. A fiscalização e a preocupação das empresas com a segurança não autorizam invasões desproporcionais à vida privada dos trabalhadores. Para o Sindicato Metabase, o respeito à dignidade, à intimidade, à honra e à privacidade deve fazer parte de qualquer ambiente de trabalho, independentemente da função exercida.
Por Comunicação Metabase • 15 de setembro de 2026
Na manhã desta terça-feira (15), o Sindicato Metabase de Itabira e Região participou da Caravana do Trabalho Decente, realizada na Mina Cauê, da Vale, em Itabira. A iniciativa busca promover condições dignas de trabalho, respeito aos direitos trabalhistas e a prevenção de violações aos direitos humanos. Na ocasião, o presidente do Sindicato Metabase, André Viana, que também é conselheiro de Administração da Vale, defendeu a construção de um ambiente de trabalho cada vez mais respeitoso, harmonioso, seguro e pautado pelo diálogo. Essa construção depende da participação de todos: trabalhadores, lideranças, empresas e sindicato. É com diálogo, respeito e união que podemos avançar. Vamos juntos construir um ambiente de trabalho mais humano, seguro, respeitoso e harmonioso para todos! 
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