PELAS PRERROGATIVAS CONSTITUCIONAIS DA JUSTIÇA TRABALHISTA

Tonny Morais • 27 de fevereiro de 2024

Participe do ato público em Itabira, quarta-feira (28), às 11:30h, em defesa dessa instância judicial que assegura direitos aos trabalhadores

O Sindicato Metabase de Itabira e Região se une à OAB Nacional, de Minas Gerais, e subseção de Itabira, para protestar veemente contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que consideramos inconstitucionais e lesivas aos trabalhadores, por desconsidera o artigo 114 da Constituição Federal, que diz ser competência exclusiva da Justiça do Trabalho processar e julgar “as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios”.

Pois é esse artigo da Constituição Federal que, desde a criação da Justiça do Trabalho por Getúlio Vargas, em 1º de maio de 1941, tendo sido efetivada pela Constituição de 1946 e novamente recepcionada pela Constituição de 1988, historicamente tem assegurado direitos trabalhistas – e que agora têm sido atropelados pelo STF, usurpando essa função que deve ser exclusiva da Justiça Trabalhista, ao outorgar parte dessa função à Justiça Comum, sabidamente mais morosa que a Justiça Trabalhista.

Exemplo disso é a lentidão que ocorre no julgamento de causas previdenciárias, que saiu da alçada da Justiça Trabalhista, passando para Justiça Comum, o que tem prejudicado os aposentáveis, aposentados e pensionistas.

Outra consequência dessa usurpação de competência ocorre também com o aumento da terceirização, inclusive de atividades-fim, com a consequente precarização das condições de trabalho e também de segurança na execução das funções.

O que nos causa mais estranheza é o fato de tudo isso partir do STF, que tem o dever de zelar pelo respeito à Constituição, ao atribuir à Justiça Comum o que pela Constituição Federal é de competência exclusiva da Justiça Trabalhista, o que tem gerado críticas e insegurança jurídica aos advogados e,  principalmente, aos trabalhadores brasileiros.

Foi o que se viu quando o STF cassou, recentemente, decisões da Justiça Trabalhista reconhecendo vínculos empregatícios entre trabalhadores e empresas. Ao remeter a ação à Justiça Comum, a suprema corte de justiça do país alegou que se trata de contratos de natureza civil ou comercial, um casuístico empregado claramente inconstitucional.

Em uma outra decisão do STF, da mesma forma claramente contrária à ordem constitucional assegurada pelo artigo 114, decidiu que a Justiça do Trabalho é incompetente para julgar ações de servidores celetistas contra o poder público.

Nesse mesmo sentido, julgou também improcedentes as ações trabalhistas que deram ganhos de causa aos representantes comerciais autônomos contra seus contratantes, remetendo os casos à Justiça Comum, que não entende esse processo de “cenepejotização” das relações trabalhistas em curso no país. É o que tem precarizado ainda mais as relações de trabalho, assegurando vantagens abusivas aos contratantes, vide os aplicativos de transportes e entregas de mercadorias.

São decisões equivocadas pelo fato de a Justiça Comum desconhecer as relações de trabalho e as suas características, que são baseadas na subordinação, na continuidade, pessoalidade e a remuneração. Características que são claras e efetivas nos contratos comerciais de autônomos com essas empresas, que burlam assim a legislação trabalhista com o beneplácito do STF.

Pois é justamente para protestar contra essa situação de usurpação da competência da Justiça Trabalhista que nos unimos às entidades nacionais, estaduais e local para somar e assim criar condições políticas para por fim a essa usurpação e desrespeito à Constituição Federal.

Vamos exigir do STF respeito à Constituição Federal e à Justiça Trabalhista, pela plena observância do artigo 114. É pela defesa dos interesses da classe trabalhadora que estamos engajados em mais essa luta.

Convocamos os trabalhadores das minas, dos escritórios, e também os demais trabalhadores de Itabira e autônomos, para que participem também dessa mobilização nacional que vai acontecer na quarta-feira (28), às 11h30. Em Itabira será em frente ao Fórum Trabalhista (avenida Prefeito Li Guerra, nº 250, Bairro Praia).

Unidos somos fortes e venceremos mais essa luta, na defesa do Direito e da Justiça do Trabalho, premissa também para uma Previdência Social justa, uma outra frente de ação que também precisamos nos mobilizar muito em breve.  

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Presidente do Metabase destaca modernidade da nova planta 100% digitalizada da Vale, mas ressalta que inovação só se consolida com investimento contínuo em capacitação e respeito ao trabalhador. Na apresentação à imprensa da Usina Modelo Conceição II, em Itabira, nesta quarta-feira (10), o presidente do Sindicato Metabase de Itabira e da Região, André Viana Madeira, afirmou que a cidade que viu nascer a Vale há 84 anos agora testemunha o futuro da mineração. A nova usina modelo Conceição II é a primeira no país a operar de forma totalmente automatizada, integrando automação, inteligência artificial e análise de dados. Com capacidade de 11,2 milhões de toneladas por ano, o investimento foi de R$ 200 milhões. Para André Viana, a modernidade da nova planta é um avanço importante, mas deve acontecer acompanhada de respeito ao trabalhador e preservação dos empregos em novos postos de trabalho, como de fato está ocorrendo com diálogo e entendimento com a mineradora. “É o futuro da mineração acontecendo aqui agora, em Itabira, berço da Vale que continua apresentando inovações tecnológicas e avançando nesse novo modelo de mineração circular e sustentável”, disse. Itabira conectada às mudanças globais André Viana ressaltou ainda que a inovação não significa exclusão de trabalhadores, mas sim adaptação e qualificação.  “A empresa está inovando sem perder a essência e também preservando os postos de trabalho. A ampla maioria das pessoas que estão operando remotamente hoje são aquelas que antes trabalhavam manualmente. Foram treinadas para isso. Melhorou o ambiente de trabalho, melhorou a saúde e a segurança”, disse. Ele lembrou que a tecnologia não pede licença e exige adaptação: “Ou você se adapta ou está fora. Precisamos estar preparados para os tempos que virão”, recomenda. O sindicalista também chamou atenção para o papel de Itabira no cenário internacional, lembrando que a cidade foi pioneira na concentração de itabiritos na década de 1970, com a usina Cauê, que também será modernizada, e no aproveitamento do itabirito compacto, antes considerado rejeito. Para ele, esse histórico de inovação agora se conectar às novas demandas globais. “Itabira não poderia ficar fora da roda do futuro, como sempre esteve atenta. Mas não é só a usina que tem que passar por esse processo de inovação. A ferrovia tem que passar, o porto tem que passar. Isso não é uma questão de escolha, é de sobrevivência”, afirmou. Viana citou exemplos de países que avançam em minerais críticos, investindo na produção de insumos estratégicos para baterias, energias renováveis e tecnologias de baixo carbono – e que estão na linha de frente da transição energética. “O Brasil precisa também avançar nesse segmento, porque o mundo está mudando rápido e não podemos ficar para trás”, completou. Três grandes notícias para Itabira Ao falar sobre os avanços recentes, André Viana destacou três notícias que considera fundamentais para o município em 2026: a anuência para o reúso de rejeitos, o aumento da vida útil das reservas minerais da Vale em Itabira e a inauguração da Usina Modelo Conceição II. Segundo ele, são conquistas importantes, mas que dependem de investimentos contínuos e de cautela. “É um salto significativo. Essa usina veio para ajudar a beneficiar o itabirito, e agora Itabira está estartando um projeto que será disseminado para outras unidades da Vale”, disse, reforçando que o progresso corporativo precisa se transformar também em progresso social e trabalhista. Tecnologia e segurança na operação Para o diretor de Operações do Complexo de Itabira, Diogo Monteiro, os ganhos da modernização já são evidentes. “É mais segurança, eficiência, bem adaptado para todos os casos que a gente tem. Conseguimos tomar decisões em tempo real, com menor intervenção humana, deixando os dados trabalharem e corrigirem”, afirmou. Segundo ele, toda a equipe, que antes operava a produção presencialmente, foi capacitada para atuar no novo modelo. “O time que estava no dia a dia agora trabalha na sala remota, com mais segurança e conforto. 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É assim que o programa Usina Modelo posiciona a Vale na vanguarda da mineração global, incorporando tecnologias de automação, eletrificação e digitalização, integrando todo o processo por meio da sala de controle. Satisfeito por conhecer e acompanhar o novo padrão de operação industrial no Brasil, implantado pioneiramente em Itabira, André Viana disse que é hora de celebrar esse momento com humildade e cautela. “Queremos que o avanço corporativo se transforme também em progresso para aqueles que fazem esta empresa ser a gigante global que nasceu em Itabira para se tornar uma das maiores mineradoras do mundo”, é o que espera o presidente do Metabase.